Hiperidrose

O suor é a forma do organismo regular sua temperatura, refrigerando a superfície do corpo durante atividades físicas ou temperaturas quentes. O estímulo para o suor é comandado pelo sistema nervoso símpático. Algumas pessoas (cerca de 0,6-1% da população mundial) tem uma sudorese aumentada, e este quadro recebe o nome de HIPERIDROSE. Com o advento do conceito que saúde envolve o bem estar físico, mental e social, a hiperidrose tem tomado importância maior. A queixa principal dos pacientes é quanto ao constragimento social que esta situação os expõe. As mulheres tem problemas com o contato social, sendo tachadas de inseguras, causando repulsa em muitos por estarem sempre com as mãos úmidas e frias. Para estas pacientes o ato simples de usar hidratante é uma tortura. Com o suor aumentado as mãos ficam escorregadias e meladas. Para escrever é necessário usar lenços para não molhar o papel. Fazer provas no colégio, carregar documentos, dirigir e usar computador são atividades complicadíssimas. Nos homens o problema toma outro contexto. Vivemos numa sociedade machista, na qual um homem com mãos frias e úmidas transmitem medo e insegurança. O aperto de mão é substituído pela maioria dos pacientes por um "tapinha" nas costas.

A maioria dos pacientes procura ajuda na adolescência. Esta é época da vida em que o contato social aumenta e a hiperidrose começa a incomodar de verdade. Apesar da hiperidrose se manifestar geralmente na infância, é na adolescência ou vida adulta, que os pacientes procuram o consultório médico. São moças que são constrangidas pelas mãos úmidas no início da paquera e rapazes torturados pelas brincadeiras dos colegas. Um detalhe importante é que a hiperidrose é situação que se perpetua por toda vida, não desaparecendo com o passar dos anos.

Diversos tratamentos são tentados. Como alternativas existem pós e cremes (antiperspirantes e adstringentes - Cloreto de alumínio em álcool etílico, solução de glutaraldeído, talco, amido de milho entre outras) a maioria desconfortáveis que irritam a pele, deixando-a muitas vezes amarelada, sem resolver o problema de vez e terem que ser usados por período indeterminado. Há opção de tratamento medicamentoso com antidepressívos, ansiolícos e anticolinérgicos que causam muitos efeitos colaterais, próprios dessas medicações. Há relatos de tentativa de tratamento com iontoforese. Outra alternativa são as injeções com Botox (toxina botulínica), que solucionam o problemas por períodos de cerca de 6 meses mas tem a desvantagem de serem método doloroso que tem que ser repetido a cada período.

Quando o paciente apresenta hiperidrose localizada em mãos ou face ou axilas existe uma possibilidade de tratamento definitivo. O tratamento definitivo mesmo só através de uma cirurgia. É a simpatectomia torácica videotoracoscópica (ou simplesmente simpatectomia). A simpatectomia torácica se dispõe à tratar a hiperidrose palmar (mãos), axilar e crânio-facial. Nesta cirurgia  uma porção da cadeia simpática torácica é seccionada no interior do tórax, interrompendo  o influxo nervoso que comanda o suor excessivo, e curando a hiperidrose palmar em 95% dos casos. Já a hiperidrose axilar e a crânio-facial tem taxa resolução em 70%  dos casos. A melhora da hiperidrose palmar (pés) é mais imprevisível, resolvendo-se em 50-70% dos casos.

A cirurgia é um procedimento de médio porte, realizado em centro cirurgico sob anestesia geral. O paciente se interna no dia da cirurgia e tem a possibilidade de sair de alta no mesmo dia ou dia seguinte. A cirurgia é feito por dois pequenos cortes de cerca de 0,5cm de cada lado. As incisões são uma na aureóla do mamilo (nos homens) ou no sulco submamário (área na parte inferior da marca do biquini nas mulheres) e outra no cavo da axila (região dos pelos da axila). Por uma dessas incisões é passada uma ótica de vídeo e pela outra uma pinça especial, longa, que permite ser feita a cirurgia sem grandes cortes. A cirurgia é feita de um lado e à seguir, na mesma anestesia do outro. Para cada tipo de hiperidrose (palmar, axilar ou crânio-facial) o nervo da cadeia simpática é cortado em níveis diferentes.

Como complicações da hiperidrose tem-se: a sudorese compensatória (em 20-50%) que se trata de um suor aumentado em outras regiões (coxas, pernas, abdome e costas) do corpo, sendo na maioria dos casos um quadro brando, transitório, sendo intenso em menos de 10% dos pacientes operados.  Outra complicação é algum grau de nevralgia pelo trauma operatório causado pelas pinças colocadas entre as costelas.  Complicações raras são como a síndorme de Claude-Bernard-Horner, ou síndrome de Horner que se trata de uma queda (ptose) da palpebra do olho, estando relacionada aos casos de simpatectomia alta (T2), os casos de pneumotórax residual (ar na pleura), sangramento e infecção de ferida.

Outras indicações para simpatectomia torácica são a distrofia simpático reflexa (causalgia, síndrome ombro-mão ou síndrome de dor regional complexa) e o rubor facial (a pessoa tem a face geralmente ruborizada - avermelhada - como se estivesse com vergonha).

Os pacientes operados para hiperidrose se mostram como população que tem alto grau de satisfação com a cirurgia. São raros os que não fariam a cirurgia se tivessem que "voltar ao tempo do suor".

Há pesquisas sendo desenvolvidas para estudar o uso da simpatectomia para tratamento da hipertensão, taquicardias e rinite mas ainda com número restrito de pacientes.

 

 

 

Cirurgia Torácica - Dr. Leonardo Cesar Silva Oliveira

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leonardo@toracica.med.br

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